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A metafísica da vida

Uma reflexão sobre o incansável impulso do querer-viver

Podemos entender a vida como um impulso oculto e cego, metafísico, que se faz presente em todos os seres, aquilo que move a célula à reprodução, que faz brotar a flor, que nos homens causa o amor, sentimento nobre imortalizado nas artes e cuja conquista se faz objetivação maior na jornada dos homens enquanto vivos, a manifestação constante do querer-viver.

A vontade de vida se expressa no mundo que ela move de dentro, isto é, está intrínseca em qualquer ser vivo. Particularmente no ser humano, esse impulso possui uma força incrível sobre o corpo, capaz de manipular a complexa cadeia de substâncias que dão origem aos sentimentos para, por fim, manipular a razão aos seus interesses. Com uma vitalidade que jamais se contenta, é faminta a ponto de devorar a si mesma, na medida em que causa tumultos de grandes proporções, como uma relação de hospedeiro e parasita. 

Um animal macho é capaz de arriscar a própria vida em lutas para conquistar a fêmea, configurando um altruísmo para com a espécie de maior validade que a preservação do próprio ser. A vontade de vida é traiçoeira, submete-nos a sacrifícios e sofrimentos, priva-nos da glória da liberdade, um inimigo que define nossa essência, um parasita do qual não há remédio, mas apenas breves calmantes...

Essa guerra entre a vontade de vida e o ser que a carrega recomeça a cada estágio e caracteriza a via que a vontade toma para avançar no mundo. 

O que seria então a morte

O que compreendemos por morte é a nossa morte, a dos indivíduos que somos. Mas os indivíduos são apenas aparências, provindas da objetivação eterna da vontade. Nascimento e morte são dois acidentes eternos, os pólos do fenômeno da vida. A morte não é, portanto, o oposto da vida, mas um acontecimento complementar que a define.

Dessa forma, é possível encontrar um consolo para a certeza amendontradora da morte quando se percebe que no ser em si de cada um reside um núcleo de eternidade, que de modo algum se aniquila quando do desaparecimento do organismo. Além do mais, o medo da morte é infundado, pois o não-ser após a morte não poderia ser um mal, pois cada mal, como cada bem, tem a existência por pressuposto, e até mesmo a consciência; essa, contanto, cessa com a vida.

Não somos convidados ou atraídos a viver, mas empurrados por trás por uma força que quer viver sem saber por quê. Para alguns, ser refém do sofrimento da vida é insuportável, e estes colocam fim a própria vida. Mas o que não percebem é que o suicídio suprime o indivíduo, não suprime a vida, o querer-viver universal. Longe de ser uma negação, o suicida comete talvez a mais enérgica as afirmações. Ele se suicida porque sofre, e, com isso, mostra que de fato quer a existência feliz. Afirma, pois, de maneira selvagem a vontade de viver.

Todo ser é refém de suas vontades metafísicas e, com elas, das consequências, entre as quais a dor. Mas então, estaríamos condenados à dor? A resposta é não. Termino aqui esse post convidando você a refletir um pouco sobre um pensamento de Arthur Schopenhauer :

"Quero que a dor fortifique em mim o conhecimento, que começa a despontar, da verdadeira natureza do mundo, a fim de que esse conhecimento se torne o calmante supremo da minha vontade, a fonte da minha eterna redenção."


Ações do documento

Passagens

"Tudo o que somos é resultado daquilo que pensamos."

Buda

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"Se toda imperfeição é fonte de sofrimento, o Espírito deve sofrer não somente pelo mal que fez como pelo bem que deixou de fazer na vida terrestre."

Allan Kardec

 

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"Tenhamos em mente que não somos o que os  outros pensam e, muitas vezes, nem mesmo o que pensamos ser. Mas somos, verdadeiramente, o que sentimos. Aliás, os sentimentos revelam nosso desempenho no passado, nossa atuação no presente e  nossa potencialidade no futuro."

Hammed